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Togas contra a soberania

28 junho 2009

GILMARSe este fosse um apelo enraizado no sentimento mais profundo diante da derrocada da democracia, ao ser desmerecido e anulado um curso superior no Brasil, como foi o de jornalismo, diria que hoje meu país é menos soberano, minha nação é menos justa e meu povo é menos cidadão.

Como já não mais é possível crer no teor de valores verdadeiros de um Estado onde a instância máxima da Justiça decide por caminhos marginais à Constituição e à legislação brasileira, registro aqui, como trabalhadora de uma categoria de quase cem mil profissionais e de uma manifesta e expressiva parte da sociedade solidária à valorização desta qualificação, e, por consequência, de um país com ensino e ciência, a revolta e a decepção de uma jornalista, mas, antes ainda, de uma brasileira.

Estamos sob o julgo da escolha do mais alto escalão do poder judiciário que possui magistrados ignorantes na avaliação das profissões e de sua relação com os direitos civis. Esses homens, por trás de uma indigna toga, que minam a instituição Justiça, e pior, os caminhos de um Brasil em direção à sua evolução e soberania plena.

A afronta é de uma imoralidade brutal quando considerações débeis e sem fundamentos legais servem como justificativas de uma equivocada e desrespeitosa decisão de um tribunal supremo. Nosso prejuízo é ilimitado, no momento em que podem ser abertas novas prerrogativas no mesmo sentido atingindo outras profissões. Nossa perda é estrutural quando em nome de interesses individuais são desconsideras as conquistas de uma sociedade.

Investimos anos de nossas vidas em aprimoramento e capacitação para oferecer à sociedade um trabalho melhor, ouvir os que pedem e fazer de nossa profissão um instrumento de resposta. Buscar e divulgar a informação com a severidade e a transparência que a ética e a verdade exigem.

Pode até esta mesma Corte, nas próximas administrações federais, indenizar tantos profissionais, estudantes, familiares e instituições. Milhares de pessoas que durante 40 anos dedicaram-se à formação para atingir a capacidade de informar e amparar os anseios da população brasileira. Mesmo assim, o Brasil terá a marca de um país que retrocedeu, quando deveria evoluir; que desertou quando deveria lutar; que definhou quando deveria salvar-se.

Rosangela Groff
Jornalista diplomada e registrada no Ministério do Trabalho