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Que a humanidade também suba ao palanque

8 julho 2008

O momento atual é, sem dúvida, do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, da ex-candidata à presidência daquele país, a franco-colombiana Ingrid Betancourt, e também do presidente francês, Nicolas Sarkozy. Momento político que nasce de ações militares e processos diplomáticos entre os países da América Latina, França e Estados Unidos contra os seqüestros das Forças Revolucionárias da Colômbia, as Farc. Esta sim, tem dominado o assunto de debates, os posicionamentos políticos e as muitas críticas e condenações.

Difícil é determinar se existe jogada política na libertação de Ingrid e dos três homens enviados pelo Pentágono para investigar o tráfico de cocaína, se a missão foi da Colômbia ou da nação norte-americana, se houve venda da liberdade destes e dos outros reféns, como a ex-congressista Consuelo González, e a ex-candidata a vice-presidente colombiana Clara Rojas, se há patrocínio das Farc pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e qual a verdadeira atuação de Sarkozy na negociação de troca de reféns. E, agora, se o presidente Lula se ofereceu mesmo para manter contato com as Farc ou se o fará sob apelo de Ingrid.

Afinal, mesmo diante da manifestação rala de Lula ao não classificar as Farc como terroristas, mesmo frente aos EUA e à União Européia que têm opinião contrária, nós mesmos, no mínimo, manifestamos um sentimento, profundamente negativo em relação a esses “homens da selva”. A definição vaga entre um movimento revolucionário sem organização e um grupo de terroristas que seqüestram, torturam e matam inocentes, por poder ou no interesse do narcotráfico.

Informações em sua maioria retratam um grupo que recorre às extorsões, à venda de proteção aos plantadores de coca e à cobrança de impostos sobre o narcotráfico. Outras que se nutrem ainda do petróleo, do café, das esmeraldas, do gado e do algodão, como teria dito o próprio comandante do Secretariado Geral das Farc, Raúl Reyes, morto no território equatoriano, com dezenas de guerrilheiros, no início de março.

Sabemos sim da intenção da guerrilha, que é a troca dos reféns políticos por aproximadamente 500 integrantes das forças, que estão presos na capital da Colômbia, Bogotá. Porém, o poderoso exército clandestino de mais 10 mil combatentes bem treinados, que se movimentam na floresta e nas planícies próximas à Cordilheira dos Andes, anda perdendo força com baixas significantes entre suas lideranças. Mas é possível também que possam estar se fortalecendo com patrocínios ou verbas de negociações para a liberdade de seus prisioneiros. Afinal, muitas dúvidas pairam sobre a operação que libertou Ingrid, sem nenhuma resistência ou troca de tiro entre o Exército colombiano e a guerrilha.

No entanto, o que podemos afirmar, sim, com fontes seguras e provas contextuais, é que são pessoas mobilizadas por “conceitos fanáticos”  ou “ideologias”, sejam quais forem, que não justificam as atrocidades e o desrespeito aos direitos humanos que cometem em nome da “libertação da Colômbia”. Não há justificativa para manter em cativeiro mais de 700 prisioneiros, muitos há mais de dez anos, vivendo sob condições sub-humanas na mata colombiana.

Como a própria Ingrid disse, em seu primeiro discurso após a libertação de mais de seis anos de cativeiro: “Os colombianos elegeram Uribe, não elegeram as Farc”. Esperemos que este seja o pensamento de todos os governantes e todas as outras mobilizações pela libertação daquelas pessoas, que há muito tempo, pareciam sem significado para a maioria dos detentores do poder mundial. Esperemos que esse “agir” global não tenha apenas um intento político, mas ainda deixe falar mais alto o sentimento “humanidade”.

Rosangela Groff

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