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Morte à liberdade de imprensa

5 junho 2007

 

Se não estivesse em jogo a liberdade de imprensa, poderia dizer que a atitude de Hugo Chávez em fechar a RCTV é um ato medíocre. Acabando com a rede de televisão da Venezuela, há 53 anos no ar, e transformando-a em TV pública, ele mais uma vez declara guerra à democracia com suas medidas autoritárias. O ex-militar marcha na Venezuela sem impedimentos, em direção ao mesmo cenário já encravado no Brasil, com os longos anos de ditadura militar que fecharam redações e torturaram jornalistas, os quais muitos não sobreviveram para contar.

Pensar que um presidente, em pleno século XXI, se sinta ameaçado por um órgão de comunicação que se manifesta contrário ao seu governo e ainda faça disso uma justificativa para exercer a ditadura sobre a imprensa venezuelana, torna evidente a sua retrogradação. É um tirano que desrespeita folcloricamente os direitos humanos. Afinal, essa era, talvez, a última voz que ainda podia despontar contra esse bolivariano intolerante, em um país onde o Legislativo e o Judiciário seguem suas ordens, como bons soldados.

Nada menos meão podia se esperar de um governante despótico que usa de bandeira frases exaltando o socialismo e garantindo-o com a morte. Um homem que critica tão ferrenhamente os EUA, mas que se beneficia do país norte-americano como o maior importador de petróleo da Venezuela, sua maior fonte de renda! Um presidente que subiu ao poder sobre os degraus de velhas e mofadas promessas de crescimento e, no entanto, mantém a nação em pobreza crônica, atingida cruelmente pelo desemprego e pela alta inflação.

Chávez, em sua declarada sede de poder, mesmo que desenterre a economia do país e alcance a prosperidade com os lucros gerados pelo petróleo, arrisca ainda isolar a Venezuela dos negócios internacionais, por causa de sua política intransigente e de sua hostilidade disparada contra todas as nações que não apóiam seu intento comunista. Mesmo assim está aí, com a presunção de um Fidel sul-americano, beneficiado com poderes amplos para governar por mais de um ano através de decretos-lei.

É difícil conceber que ainda seja possível se produzir “filhotes” de ditadores depois de tanta história marcada pelo desrespeito aos direitos humanos, pelo desprezo à liberdade, pela repressão e crueldade contra pessoas do mundo inteiro. Mas o protótipo da era da globalização, talvez subestimado indevidamente, xinga quem quer e age com seu sectarismo: despreza a diplomacia, estatiza empresas e fecha emissoras de TV, ignorando o direito universal de qualquer sociedade civil: a liberdade de expressão. 

Rosangela Groff

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