
Manifestações a favor, a maioria, e posicionamentos contrários marcaram o início do mês com a excomunhão da mãe da ainda menina, grávida, estuprada pelo padrasto, e dos médicos que interromperam a gestação.
A ”penalidade católica” foi aplicada através de um arcebispo, ratificada pelo Vaticano, e, agora, a CNBB declara que a excomunhão do bispo foi por “sensibilidade” e que “a punição depende de consciência dos envolvidos”.
Mais uma vez, a prioridade da doutrina se sobrepõe a questões sociais e humanas. E sobressai que pouco interessa se é tão difícil estabelecer a união cada vez mais rara entre as pessoas. Menos importa se mais algumas almas são desperdiçadas e impossibilitadas de comungar suas vidas com os “colegas cristãos”.
Se evidencia a postura da Igreja Católica que insiste em querer estipular regras sociais há muito longe da contemporaneidade. Que quer manter intocados preceitos nascidos em eras onde as Cruzadas depredavam e exterminavam focos populacionais em nome da salvação. Onde autoridades torturavam, humilhavam e queimavam indivíduos que não se curvavam aos seus ditames. Séculos onde civilizações eram extintas em sua cultura e liberdade em nome da catequização.
Não há consenso, não há um menor pesar que leve a instituição católica a considerar os tempos, as condições cidadãs ou até mesmo reconhecer suas enormes baixas, como resultado de uma intolerância rançosa e defasada.
Será porque os Papas não passam pela experiência real da vida e, assim, não sentem na pele os males e sofrimentos que atingem “reles” indivíduos?
Ou será uma máscara insistente a tentar disfarçar as mazelas da própria Casa que as escandaliza diariamente na mídia?
Passou, será, o tempo em que o governo usava batina e solidéu, e o preço para chegar a Deus era alto? Não se sabe, entretanto, se as portas dos céus realmente se abriram ao enorme investimento de senhores feudais ou de pobres trabalhadores.
O Papa, no entanto, dorme em lençóis de linho egípcio, tem talheres de prata e anéis de ouro maciço. Longe, bem longe, de um cristão de sandálias, que se alimentou com doações enquanto pregava o amor e a humildade, e nas mãos, só o que vestiu a mais foram pregos e chagas.
Rosangela Groff




